Parceria entre a GAC e a HPE Automotores transformará unidade de Catalão (GO) em polo de produção nacional a partir de 2027, com investimento superior a US$ 1 bilhão
O mercado automotivo brasileiro ganhará um novo capítulo com a chegada da montadora chinesa GAC à produção nacional. A fabricante confirmou uma parceria estratégica com a HPE Automotores para utilizar parte da estrutura da fábrica de Catalão, em Goiás, onde atualmente são produzidos veículos da Mitsubishi. A expectativa é fabricar até 50 mil veículos por ano no Brasil, fortalecendo a presença da marca no país e ampliando a concorrência entre as montadoras chinesas.
O investimento previsto ultrapassa US$ 1 bilhão até 2030, contemplando a adaptação da planta industrial, desenvolvimento de fornecedores nacionais e nacionalização gradual dos modelos. A produção brasileira deve começar em 2027 e faz parte da estratégia da GAC de expandir sua atuação na América Latina.
Segundo a HPE Automotores, responsável pela operação da Mitsubishi no Brasil, a parceria não altera a relação com a fabricante japonesa. As duas empresas continuarão atuando de forma independente, compartilhando apenas parte da infraestrutura industrial. A administração da Mitsubishi permanecerá separada das operações da montadora chinesa.
Entre os modelos cotados para iniciar a produção nacional estão os utilitários esportivos GS3 e GS4, além da possibilidade de fabricação futura do hatch elétrico Aion UT. A nacionalização permitirá reduzir custos, facilitar a adaptação dos veículos ao mercado brasileiro — inclusive com possíveis versões flex — e aumentar a competitividade diante de marcas como BYD, GWM e Caoa Chery.
A estratégia acompanha o movimento de expansão das montadoras chinesas no Brasil. Nos últimos anos, empresas como BYD e GWM anunciaram investimentos bilionários em fábricas nacionais, impulsionando a eletrificação da frota e a disputa pelo mercado brasileiro de veículos híbridos e elétricos.
Especialistas do setor avaliam que a chegada da GAC à produção local reforça a transformação vivida pela indústria automotiva brasileira, com maior participação de fabricantes asiáticas e novos investimentos em tecnologia, inovação e geração de empregos. A utilização de estruturas industriais já existentes também reduz custos de implantação e acelera o início das operações no país.
