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A Origem do Pix e a Disputa Internacional: O Sistema Brasileiro na Mira dos Estados Unidos

Os recentes ataques do governo dos Estados Unidos contra o sistema de pagamentos instantâneos Pix reacenderam o debate nacional sobre a verdadeira origem da tecnologia. A ofensiva americana, atrelada à intensa disputa eleitoral no Brasil, colocou a ferramenta do Banco Central (BC) no centro de uma polêmica global e política.

Na última segunda-feira, o governo dos EUA concluiu uma investigação comercial que acusa o Brasil de prejudicar injustamente empresas americanas de pagamento eletrônico, alegando políticas de favorecimento ao Pix.

A verdadeira linha do tempo: Afinal, quem criou o Pix?

O Pix é uma tecnologia desenvolvida por técnicos do Banco Central do Brasil, projetada para realizar transferências em segundos, a qualquer hora do dia. Apesar da polarização política, o desenvolvimento do sistema atravessou diferentes gestões presidenciais:

  • 2014 (Governo Dilma Rousseff): A primeira manifestação sobre “soluções que permitam, a baixo custo, pagamentos de varejo em tempo real” foi registrada em um Relatório de Vigilância do Sistema de Pagamentos Brasileiro.

  • Maio de 2018 (Governo Michel Temer): O Banco Central instituiu a portaria 97.909, criando um grupo de trabalho para construir o ecossistema de pagamentos. A portaria já definia o funcionamento 24 horas por dia, sete dias por semana. O grupo recebeu contribuições de mais de 130 participantes.

  • Dezembro de 2018 (Governo Michel Temer): O BC estabeleceu os requisitos fundamentais e posicionou-se oficialmente como líder do processo.

  • Outubro de 2019 (Governo Jair Bolsonaro): Teve início o desenvolvimento prático da infraestrutura tecnológica.

  • 2020 (Governo Jair Bolsonaro): A marca Pix foi lançada em fevereiro. Em outubro, o BC iniciou o cadastramento de chaves, mês em que o então presidente Bolsonaro chegou a manifestar desconhecimento sobre a ferramenta ao ser questionado por um apoiador. O funcionamento pleno da plataforma começou em 16 de novembro de 2020.

Por que os Estados Unidos estão atacando o Pix?

A investigação americana foi baseada na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, um instrumento que apura práticas estrangeiras consideradas discriminatórias contra produtos e empresas dos EUA. Como retaliação, o governo Donald Trump propôs tarifas de 25% a produtos brasileiros.

Os principais argumentos apontados no relatório dos EUA incluem:

  • Conflito de interesses: A investigação acusa o Banco Central de exercer um papel duplo e injusto, atuando simultaneamente como regulador e proprietário/operador do Pix.

  • Obrigatoriedade e gratuidade: Os EUA criticam a exigência do BC de que instituições financeiras com mais de 500 mil contas ofertem o Pix e que ele seja mantido sem taxas aos clientes.

  • Destaque nos aplicativos: O relatório reprova a regra que obriga os bancos a exibirem o Pix na tela principal de seus aplicativos com destaque igual ou superior a outros meios de pagamento, forçando empresas americanas a promoverem o competidor brasileiro sem compensação.

A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) rebateu as críticas, afirmando que as conclusões americanas se baseiam em informações incompletas. A entidade ressaltou que o Pix é uma infraestrutura, não um produto comercial, e que ele favorece a inclusão financeira e a competição.

Reações políticas no Brasil

A tensão comercial rapidamente foi absorvida pelas campanhas presidenciais brasileiras:

  • O presidente e pré-candidato Luiz Inácio Lula da Silva exibiu uma faixa com os dizeres “O Pix é do Brasil”. Lula acusou o presidente Donald Trump de agir de forma intempestiva e baseada em mentiras ao aumentar as taxações, e desafiou os EUA a adotarem a tecnologia brasileira.

  • O senador e também pré-candidato Flávio Bolsonaro rebateu com cartazes afirmando que “O Pix é do Brasil e do Bolsonaro”. Em discurso, ele creditou a criação e a ausência de taxas do sistema a decisões de Jair Bolsonaro.

O impacto astronômico e o reconhecimento global

Desde o seu lançamento, os números do Pix impressionam o mercado financeiro. Mais de 170 milhões de pessoas físicas (80% da população) já utilizaram a ferramenta, movimentando mais de R$ 3 trilhões até outubro de 2025. O sistema atingiu seu recorde diário em 12 de dezembro de 2025, com 313 milhões de transações.

O sucesso nacional inspirou países vizinhos, como a Colômbia, e rendeu elogios do Prêmio Nobel de Economia, Paul Krugman. Krugman sugeriu que o Brasil “inventou o futuro do dinheiro” ao alcançar baixos custos de transação e enorme inclusão financeira — destacando que 93% dos brasileiros usam o Pix, em comparação a apenas 2% dos americanos que utilizam criptomoedas para pagamentos. Especialistas em tecnologia apontam que a popularidade da ferramenta brasileira incomoda grandes big techs americanas em uma clara disputa pela inovação global.