A eficácia das medidas de segurança pública no litoral pernambucano enfrenta um grave obstáculo material. O Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarões (Cemit) informou que mais de um terço das placas de alerta de tubarão instaladas há pouco mais de um ano nas praias do estado foram alvo de vandalismo, pichação ou furto. O diagnóstico reforça a preocupação das autoridades com a segurança dos banhistas, especialmente após a ocorrência de dois ataques graves em um intervalo de menos de 48 horas na Região Metropolitana do Recife.
De acordo com o balanço estatístico oficial do órgão protetora, das 150 sinalizações fixadas em pontos estratégicos da orla em janeiro de 2025, um total de 55 estruturas já foram completamente inutilizadas ou removidas de forma ilegal. Restam, atualmente, apenas 95 avisos operacionais para cobrir os trechos de maior risco da costa.
Vandalismo reduz a eficácia da prevenção na orla
A secretária executiva do Cemit, Danise Alves, manifestou forte preocupação com a reincidência de pichações e a remoção física dos equipamentos de proteção passiva. A destruição do patrimônio público impacta diretamente a capacidade de alertar turistas e moradores que frequentam faixas de areia densamente povoadas.
“A gente pede que, por favor, respeitem as placas. Inclusive, é um alerta que faço agora. A gente instalou 150 novas placas, e hoje temos apenas 95 funcionais. Já perdemos dezenas delas, retiradas ou danificadas por pichações e depredações”, afirmou a secretária executiva do comitê.
A coordenação do Cemit reitera que os pontos de instalação não são aleatórios: as estruturas ocupam trechos validados por estudos oceanográficos e estatísticos como áreas de frequente aproximação de espécies agressivas, como o tubarão-tigre e o tubarão-cabeça-chata. A ausência do aviso visual expõe diretamente banhistas desavisados a riscos severos de integridade física.
Recrudescimento de incidentes reacende debate sobre segurança
O problema da manutenção das placas de alerta de tubarão voltou ao centro do debate público após os traumas consecutivos registrados no início desta semana. No domingo (31 de maio), um menino de 11 anos sofreu uma investida na Praia de Piedade, em Jaboatão dos Guararapes. Menos de dois dias depois, na segunda-feira (1º de junho), uma jovem de 19 anos foi atacada na Praia de Boa Viagem, na Zona Sul do Recife.
Ambas as vítimas sofreram amputações de membros inferiores devido à gravidade das mordidas e encontram-se internadas sob cuidados intensivos no Hospital da Restauração (HR). Cientistas e técnicos apontam que, além do comportamento natural das espécies marinhas, a negligência de sinalizações destruídas ou a desobediência civil voluntária expandem consideravelmente as probabilidades de novas tragédias na costa de Pernambuco.
Sinalização complementar e protocolos de segurança
O plano de contingência nas praias de Pernambuco não depende exclusivamente das placas fixas. O Corpo de Bombeiros Militar atua diariamente na faixa de areia com o posicionamento de bandeiras vermelhas móveis. Contudo, as lideranças da corporação explicam que a finalidade das bandeiras difere dos avisos de fauna marinha: as flâmulas vermelhas são utilizadas para demarcar correntes de retorno e valas subaquáticas móveis, que representam risco iminente de afogamento.
Para garantir a segurança integral, o Cemit reforça três recomendações básicas de comportamento aos frequentadores:
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Condições da água: Evitar categoricamente o banho de mar quando as águas estiverem turvas ou em períodos de maré cheia, momentos em que os predadores realizam aproximações para alimentação.
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Respeito aos limites: Jamais ultrapassar a linha dos recifes de corais ou entrar em áreas de mar aberto desprotegidas.
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Atenção aos alertas: Observar rigorosamente os mapas e as sinalizações remanescentes na orla, buscando orientação direta com os guarda-vidas de plantão antes de entrar na água.
As autoridades estaduais analisam medidas de monitoramento por câmeras e o endurecimento de punições para coibir o vandalismo contra os equipamentos de segurança biológica.
Para verificar o relatório na íntegra e acompanhar as atualizações sobre o mapeamento das áreas de risco, acesse a reportagem oficial no G1 Pernambuco.
