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Novo tarifaço dos EUA: Entenda a taxa de 25% proposta por Trump e veja quais produtos brasileiros ficaram de fora

O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) formalizou uma proposta de retaliação comercial contra o Brasil, prevendo a aplicação de uma tarifa de 25% sobre uma ampla gama de produtos importados do país. A medida é o resultado prático de uma detalhada investigação comercial conduzida sob a Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, mecanismo que o governo de Donald Trump utiliza para penalizar nações cujas práticas são consideradas prejudiciais às empresas norte-americanas.

Apesar do forte impacto da medida, a administração Trump divulgou um anexo de 73 páginas contendo uma lista de exceções estratégicas. Na prática, diversos setores cruciais da economia brasileira foram poupados do novo encargo aduaneiro.

A lista de exceções: Os produtos brasileiros poupados

O governo dos Estados Unidos optou por poupar setores onde a cadeia de suprimentos interna norte-americana possui forte dependência do Brasil, evitando inflacionar demasiadamente os custos para seus próprios consumidores e indústrias. Os principais itens preservados e isentos da tarifa de 25% incluem:

  • Agronegócio: Determinados tipos de carnes, café, frutas, chás, cereais e sementes.

  • Aeroespacial: Aeronaves brasileiras e peças/componentes aeronáuticos (setor liderado pela Embraer).

  • Insumos e Minerais: Terras raras, minerais diversos e fertilizantes.

  • Química e Saúde: Produtos químicos orgânicos e compostos farmacêuticos.

  • Outros: Materiais informativos e doações institucionais.

Essas isenções garantem um alívio temporário a exportadores de peso no Produto Interno Bruto (PIB) nacional, cujas margens de lucro seriam severamente comprimidas caso o imposto integral fosse aplicado a partir do segundo semestre.

Os motivos por trás da retaliação norte-americana

O relatório técnico do USTR justifica a punição ao classificar uma série de políticas e atos do governo de Luiz Inácio Lula da Silva como “irrazoáveis” e restritivos ao comércio dos EUA. Entre as principais críticas institucionais que fundamentaram a decisão de Trump, destacam-se seis eixos centrais:

  1. Regulação da Internet e Big Techs: O órgão americano criticou duramente decisões de tribunais superiores brasileiros, como o Supremo Tribunal Federal (STF), voltadas à remoção de conteúdos políticos e suspensão de perfis em redes sociais geridas por empresas americanas. O relatório cita que processos sob sigilo e multas severas geram extrema insegurança jurídica.

  2. Sistema Pix: Críticas sobre potenciais assimetrias e impactos regulatórios que afetam prestadores de serviços financeiros estrangeiros.

  3. Biocombustíveis: Impasses históricos em relação às tarifas incidentes sobre o etanol americano.

  4. Políticas de Desmatamento: Questionamentos sobre métricas e restrições regulatórias na área ambiental.

Segundo o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, embora reuniões bilaterais frequentes venham ocorrendo no âmbito de um grupo de trabalho comum, as divergências regulatórias e ideológicas entre Brasília e Washington permanecem profundas.

Cronograma e próximos passos diplomáticos

A medida proposta ainda não entrou em vigor em caráter definitivo, funcionando como um instrumento de pressão direta na mesa de negociações. O cronograma oficial estabelece as seguintes etapas para as próximas semanas:

  • Envio de contribuições públicas: Empresas e governos podem se manifestar formalmente sobre a lista de produtos afetados.

  • 6 de julho de 2026: Realização da audiência pública principal em Washington para debater os termos do relatório.

  • 15 de julho de 2026: Prazo legal limite para a decisão final e eventual aplicação oficial das sanções ou anúncio de um acordo costurado de última hora.

Analistas de comércio exterior apontam que o período até meados de julho será marcado por intensa atividade diplomática e forte articulação do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e do Ministério das Relações Exteriores do Brasil, que tentarão ampliar a lista de produtos poupados ou mitigar as exigências americanas antes da assinatura do decreto final.