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Virada em Pernambuco: Raquel Lyra assume liderança numérica sobre João Campos e consolida aprovação, aponta Datafolha

A disputa pelo Governo de Pernambuco em 2026 registrou uma alteração significativa em sua trajetória. Pesquisa do Instituto Datafolha divulgada nesta quinta-feira (28), encomendada pela TV Tribuna, aponta uma forte reação da governadora Raquel Lyra (PSD), que assumiu a liderança numérica na corrida sucessória estadual, superando o ex-prefeito do Recife, João Campos (PSB).

O levantamento, realizado entre os dias 25 e 27 de maio com 1.022 eleitores, revela um cenário de empate técnico no limite da margem de erro — que é de três pontos percentuais para mais ou para menos —, mas consolida uma tendência de inversão de curvas observada nos bastidores nas últimas semanas.

Cenário de Primeiro Turno: A inversão das intenções de voto

No cenário estimulado para o primeiro turno, Raquel Lyra aparece com 48% das intenções de voto, abrindo uma vantagem de cinco pontos sobre João Campos, que pontua com 43%. O ex-vereador Ivan Moraes (PSOL) registra 2%. Votos brancos, nulos ou nenhum somam 4%, enquanto 2% dos entrevistados se declaram indecisos.

Pré-candidato Intenção de Voto (Maio/2026)
Raquel Lyra (PSD) 48%
João Campos (PSB) 43%
Ivan Moraes (PSOL) 2%
Branco/Nulo/Nenhum 4%
Não sabem 2%

O dado mais impactante do levantamento, contudo, surge na comparação histórica recente. Na rodada anterior do Datafolha, realizada em abril, João Campos liderava de forma isolada com 50% das intenções de voto, contra 38% da atual governadora. Em pouco mais de um mês, Raquel Lyra avançou 10 pontos percentuais, enquanto o socialista recuou 7 pontos, alterando a dinâmica das forças políticas no estado.

Projeção de Segundo Turno e Índices de Rejeição

Nas simulações de um eventual segundo turno entre os dois principais polos da política pernambucana, a vantagem numérica de Raquel Lyra se expande para além da margem de erro. A atual governadora venceria o pleito com 51% dos votos, contra 44% de João Campos. Brancos e nulos somam 4%, e 1% não soube responder.

A pesquisa também aferiu o índice de rejeição dos concorrentes. O pré-candidato do PSOL, Ivan Moraes, lidera o quesito com 59%. Entre os favoritos, João Campos registra 29% de rejeição, enquanto Raquel Lyra apresenta o menor índice entre os três nomes testados, com 25%.

A engrenagem da virada: Queda drástica na reprovação do Governo

O realinhamento das intenções de voto encontra sustentação direta na avaliação da gestão estadual. O Datafolha captou uma melhora substancial na percepção pública sobre o mandato de Raquel Lyra, com destaque para a desidratação dos índices negativos.

  • Ótimo ou Bom: Subiu de 40% (em abril) para 45%.

  • Regular: Registrou 37% (ante 20% no levantamento anterior).

  • Ruim ou Péssimo: Sofreu uma redução drástica, despencando de 38% para 16%.

Na aferição direta sobre o modelo de administração, o governo de Raquel Lyra alcançou 67% de aprovação dos eleitores pernambucanos, contra 28% de desaprovação. Economistas e analistas políticos associam o resultado ao destravamento de pacotes de obras rodoviárias, investimentos em segurança e à consolidação de programas sociais de capilaridade estadual, fatores que atenuaram o desgaste político do início do mandato.

O tabuleiro para o Senado Federal

O Datafolha também testou o eleitorado para as duas vagas disponíveis ao Senado Federal. A ex-deputada Marília Arraes (PDT) lidera as intenções de voto na simulação principal com 39%, seguida de perto pelo senador Humberto Costa (PT), que pontua com 32%. Eduardo da Fonte (PP) aparece com 22%, seguido por Miguel Coelho (União Brasil) com 19% e Anderson Ferreira (PL) com 16%.

Impactos na estratégia das campanhas

Os números do Datafolha devem forçar uma reconfiguração nas estratégias de marketing político de ambas as frentes. Para o bloco governista, os dados validam o discurso focado em entregas administrativas e resiliência institucional, reduzindo o espaço para as críticas da oposição sobre suposta paralisia de gestão.

Pelo lado do PSB, a perda da liderança isolada acende o sinal de alerta e impõe o desafio de nacionalizar o debate e expandir a força política de João Campos para além da Região Metropolitana do Recife, onde historicamente concentra seus maiores índices de popularidade. A quatro meses do pleito, Pernambuco consolida-se como um dos cenários mais competitivos e polarizados do país.

Para uma análise complementar das movimentações iniciais dessa disputa, assista à discussão sobre o cenário político no estado no vídeo Pesquisa Datafolha: Raquel Lyra x João Campos em Pernambuco, que ajuda a compreender como a rivalidade entre os dois blocos se desenhou ao longo do ano.